3 de abr. de 2011

Acústico Ao Vivo - Bruno e Marrone



 marco do “boom” do sertanejo nos anos 2000

É difícil falar de música sertaneja hoje em dia. O mercado fonográfico anda abarrotado de duplas que diariamente são lançadas com músicas que seguem preceitos simples, que não fogem duma fórmula antiga: imagem + metáforas em excesso, (meteoro da paixão, por exemplo). E, com um olhar despido de preconceitos, é possível admitir que a fórmula funciona e diverte, mas é rasa e enjoativa.
Diante disso, os mais ardis críticos da música sertaneja contemporânea torcem o nariz para toda e qualquer produção do tipo, sem conseguir lançar um olhar consciente sobre ela e deixando prevalecer o senso comum. Esquecem-se, entretanto, que em todos os gêneros musicais há a produção massificada de música rasa, mas que existe qualidade, em melodia e letra também no sertanejo.
Depois dessa introdução, apresento o álbum que foi um dos grandes responsáveis pelo revival da música sertaneja nos anos 2000, o Acústico Ao Vivo da dupla Bruno e Marrone, de 2001. Se você odeia dor-de-cotovelo, guarânias e pessoas que dormem em praças públicas sugiro que pare por aqui.
A dupla já havia lançado quatro álbuns antes desse Acústico, mas foi somente por volta do lançamento deste que conseguiram um destaque nacional. Não por menos: a música sertaneja andava repleta de guitarras elétricas e sintetizadores, faltava voz e violão. Acústico Ao Vivo, não só traz um trabalho recheado de músicas que viriam a se tornar clássicos da dupla, como também eleva ao máximo, reconquistando o espaço na mídia que vinha sendo tomado por outros ritmos. Temos aqui música sertaneja que abandona o bucolismo à lá Tonico e Tinoco, mas que fala de desilusões, ciúme e amor simples e puro, é claro.
O álbum começa com a agitada Feriado Nacional. Entre todas é a que menos reflete o espírito do disco. É divertida e patriota, exalta as maravilhas do nosso país, brinca com a vontade que muitos têm de ir pro exterior, mas não passa disso. Dormi na praça é melosa, virou hit instantâneo e foi uma das músicas mais escutadas no ano. Dispensa comentários.
Logo vem Amor de Carnaval, e onde a beleza do CD verdadeiramente começa. A viola casa perfeitamente com a melodia, a letra é bonita e original e encanta a quem ouve. Meu jeito de sentir é lenta, dramática e bonita, só por ser. É o sentimento simples sendo cantado melancolicamente, é quase uma carta de amor musicada. Depois somos brindados com um cover de João Mineiro e Marciano, a lindíssima Seu amor ainda é tudo. Se você nunca escutou essa música, prepare o coração. Acertadamente encaixada no álbum, disfarça-se entre as demais canções, e passa desapercebidamente como sendo de autoria da dupla.
Um bom perdedor merece destaque. Talvez seja a canção mais bonita do disco, e mostra porque Bruno e Marrone se destacaram e inspiraram o boom de novas duplas sertanejas no país. É linda. Fala de um relacionamento que acabou, e o quão difícil pode ser aceitar isso. “Sim, é claro, eu esperava te convencer, mas é bom deixar a água correr. O que importa agora as palavras que eu não pude dizer?”. O álbum continua em seu ápice, com a não menos bonita Vida vazia, que pega carona na música anterior e mantém todo o clima. Programa de fim de semana é mais leve e tira um pouco da euforia das duas músicas anteriores. Segue um dos mais bonitos pout-pourri de boleros, com Tenho ciúme de tudo, A dama de vermelho e brigas. Escolhidas a dedo, ficam, assim como Seu amor ainda é tudo, devidamente marcadas no álbum. Fechamos com Por um minuto. Escute, ainda que você não seja o maior entusiasta da música sertaneja.
Assim, Acústico Ao Vivo mostra-se como um dos mais importantes trabalhos do sertanejo nos anos 2000, inspirou várias duplas e deu uma nova cara para o gênero. É um disco para cantar junto cada música, com um copo de cerveja do lado e, principalmente, um coração que já amou, se iludiu ou dormiu na praça.

3 comentários:

  1. Sem dúvida esse álbum foi de extrema importância para estabelecer o sertanejo como um dos gêneros musicais influentes da década. O mais impressionante foi a regularidade que a dupla atingiu nos anos seguintes, com o álbum inevitável, de 2003, que vendeu 1,5 milhão de cópias, que foi lançado por outra gravadora, a BMG. To no aguardo da análise do álbum Inevitável, que tem "Deixa", "Trânsito Parado", "Vai dar namoro" e tantos outros sucessos.

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  2. Para os amantes e não-amantes do sertanejo, é um álbum inesquecível. Minto se disser que não fiquei com vontade de ouvir depois de um lindo trabalho de descrição e encantos por um (quase) radialista profissional (mas que não o deixou de ser neste post: profissional). Recomendo para churrascos e feijoadas (com som ao vivo ou não).

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  3. Sem dúvida eu gostei do post! ;D

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