Angles – The Strokes
Ainda é The Strokes, com um pouco mais de eletrônico
Sou fã dos Strokes desde 2006, época do lançamento do First Impressions of Earth. Lembro que, ainda bem moleque, já me empolgava com a força dos riffs, com as guitarras acertadas e até com a bateria não tão inspirada. Tenho a banda ainda hoje como uma das minhas preferidas, e uma das muitas que mostram o quão errado é desmerecer musicalmente nossa geração.
Surge, então, a surpresa de um novo álbum, Angles. O nome do álbum fala um pouco sobre a proposta da banda nesse estágio: um álbum que ligasse várias visões de seus integrantes. A capa, como de costume, remete pouco (ou nada) às capas de trabalhos anteriores. Essa me causou, a princípio, até um certo desconforto visual.
O primeiro single, Under Cover of Darkness, é uma típica música dos Strokes. O riff marcante, a bateria num ritmo constante e o vocal gritado. Gostei bastante da música, pois me lembrou apenas mais uma música, podendo estar em qualquer outro álbum, e, no caso, isso não era nada mal. A melhor canção do álbum, escolhida acertadamente como o primeiro single desse novo trabalho.
Começa o álbum. Vem Machu Picchu, que tem um começo diferente de qualquer outra música dos Strokes. O refrão é impolgante, a guitarra soa alegre e dançante, é uma música excelente para começar o álbum (apesar de não ter o mesmo efeito de What Ever Happened?, no Room On Fire, nem de You Only Live Once, em First Impression of Earth).
Depois dá já citada Under Cover of Darkness, a banda nos oferece uma música ligeiramente diferente do usual. Two Kinds Of Happiness parece querer emular algo do The Cure, a bateria bem marcada com jeitão de anos oitenta, o vocal e a guitarra parecem contribuir com esse clima. Porém, no avançar da música, nota-se a pegada Strokes, assim como a primeira do álbum, quase dançante. Até aqui estava tudo bem.
Porém, a influência do álbum solo do vocalista Julian Casablancas despenca na próxima música. You’re So Right, além do vocal quase robótico nos dá um banho de coisas eletrônicas e, não fosse a guitarra solo muito bem acompanhada na música, pareceria alguma cópia dum Paranoid Android na visão do vocalista.
Para me alivar um pouco vem a próxima música, Taken For A Fool, com uma cara bem Is This It (o primeiro álbum da banda). É, como o primeiro single, uma música que leva bem a cara dos Strokes. E apesar de uma ou outra novidade eletrônica no meio da música, ela é linda, bem construída e com um refrão marcante. Ponto para a banda.
Aí vem Games. É uma faixa do solo de Julian Casablancas perdida no meio do Angles. Aqui, novamente, temos uma música que caberia otimamente em um disco do Radiohead. A música não é ruim, mas o excesso de eletrônico parece ofuscar a banda como um todo. Entretanto, se tratando do trabalho intitulado “ângulos”, esse pode ser, talvez, o do vocalista.
Call me back é quase só voz e guitarra. É linda. A guitarra acompanha a letra quase que cantando junto com o vocalista. Sem mais.
Depois, Gratisfaction dá uma levantada no álbum. Essa tem tanto a cara da banda quanto Taken For a Fool. É alegre, quase dançante, os riffs são daqueles que não saem da cabeça, assim como a música em si. Metabolism é quase Electricityscape. Depois vem Life Is Simple In The Moonlight. É uma música bem completa, com uma pós-produção que notadamente pesou muito na composição (o que, aliás, pode ser dito do disco todo).
Ao final do álbum, fiquei com uma impressão mista. Por um lado, me perdi em umas duas faixas pelo excesso do eletrônico. Por outro, fiquei extasiado com mais um trabalho legal da banda. Por fim, depois de escutá-lo mais uma vez, vi Angles como mais um álbum legal dos Strokes, mas seguindo uma tendência um pouco mais “moderna”. Não chega ao brilhantismo de Room On Fire, mas não fica devendo muito.

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